Como foi feito: Aqui não mora ninguém

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O que é esse mapa?
O que você está vendo é um mapa interativo da distribuição populacional no Brasil. Nele você vê espaços de até 1km² onde a população recenseada é igual a zero em 2010. Esse dado é fornecido pelo Censo Demográfico 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Resumidamente, o mapa foi gerado selecionando todas as áreas da grade estatística nas quais a informação de quantidade de residentes era igual a zero, desconsiderando corpos d’água como lagos e rios. Os dados desagregados do IBGE que dão origem a estes “quadrados” são muito mais precisos, no entanto, não são públicos por uma questão de privacidade. Assim, esta visualização em grade representa fielmente a distribuição populacional no espaço.

O mapa foi criado pela equipe da Plano C, inspirada pela iniciativa de Nikolaus M. Freeman, um geógrafo e cartógrafo baseado em Austin, nos Estados Unidos, que realizou um mapa semelhante para o território estadunidense.

A grade do IBGE (os “quadrados”)
A Grade Estatística do Censo Demográfico 2010 é a menor unidade de área recenseada disponibilizada pelo IBGE. Em 2010, 13.566.488 “quadrados” foram levantados. A população residente em 10.902.382 deles era igual a zero. Isso corresponde a 6,8 milhões de km², aproximadamente 80% da área do território nacional. Assim, apesar da sua esmagadora população de 207,7 milhões, a maior parte do Brasil permanece inabitada.

Estes dados vieram a público graças à tese de doutorado de Maria do Carmo Ribeiro (2014). Como solução para problemas relacionados à incompatibilidade de unidades espaciais de dados agregados, o trabalho de Ribeiro propôs a utilização de células regulares dispostas em um sistema de grade para a agregação e disseminação de dados censitários, denominada “grade estatística”.

As células, ou os “quadrados”, desta grade têm pequenas dimensões, podendo ser consideradas como “tijolos” que se juntam para formar qualquer recorte espacial desejado e não se alteram ao longo do tempo. A utilização de dados agregados em unidades de dimensões menores proporciona também um aumento do potencial analítico. Por serem mais precisos, os dados obtidos permitiram a execução de análises com um maior nível de desagregação espacial, além de facilitar a integração de dados agregados em unidades geográficas diferentes.

A metodologia utilizada
Para começar, foram baixados os dados da grade estatística do servidor ftp do IBGE, na forma de 56 shapefiles. Usando scripts Python com as bibliotecas nativas no QGIS (osgeo, shapely, sqlite3), foram agregados todos os shapefiles e selecionados apenas as células nas quais a quantidade de população era igual a zero.
Utilizando o TileMill para ler cada shapefile e gerar um tile layer, os dados vetoriais foram transformados em dados rasterizados, organizados de acordo com o nível de zoom e localização adequados. Foram utilizadas regras de simbologia CartoCSS para remover as células localizadas sobre corpos d’água como o oceano atlântico, lagos e rios. A saída desta etapa é um arquivo MBTiles.

Esse arquivo foi então tratado com Python usando a ferramenta MBUtil, para transformar os MBTiles em arquivos .png organizados por zoom e localização. Esse processo levou aproximadamente 14h e gerou um conjunto de arquivos de 400MB. Cada imagem nessa estrutura represente um local para uma aproximação específica, que pode ser lido pela biblioteca javascript Leaflet.

Em seguida, essa estrutura de arquivos foi estocada, através de um protocolo FTP, em um web facing server público, a ser acessado pelo API da Plano C.

Por último, foi utilizada a biblioteca Leaflet para mostrar o mapa “Aqui não mora ninguém”, e um pouco de HTML, CSS e JS para visualizar o resultado e compartilhá-lo com você.

Legal! Quero fazer também.
As instruções mais detalhadas e os softwares utilizados estão todos no GitHub. Estando no GitHub sob uma Licença Creative Commons, você é livre para usar esse código para criar mapas interativos, tile layers, ou o que você quiser. Você também pode usar as informações para trabalhos profissionais, acadêmicos, pesquisas e quaisquer outros usos, contanto que cite a as fontes.

Eita! Achei meio complicado, faz pra mim?
Claro! A Plano C se especializa em visualização e tratamento de dados espaciais. Se você tem interesse em mapas para visualizar dados de um jeito interativo e didático ou apresentar informações geográficas utilizando dados para sua empresa ou organização, mande um email para: contato@plano-c.com

Nas Mídias​

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/04/28/O-mapa-que-mostra-as-regi%C3%B5es-do-Brasil-onde-n%C3%A3o-mora-ningu%C3%A9m?utm_campaign=Echobox&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1524934173
https://mundogeo.com/blog/2018/03/27/mapa-interativo-mostra-a-distribuicao-populacional-no-brasil/
https://googlemapsmania.blogspot.com/2018/03/the-dotless-maps-of-brasil-usa.html

Geospatial Data Scientist and Developer. GIS , sustainable urban planning, environment, data science and software development. linkedin.com/in/guilhermeiablo

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